A moda e suas contradições

Quando li o título da reportagem do Terra: “Passarelas apontam para mulheres grandes”, fiquei animada. Pensei: “Será que finalmente o mundo da moda acordou para a realidade?”

Já faz tempo que essa ditadura da magreza que reina nas passarelas, nas revistas, nos padrões de beleza, me incomoda. E eu não suporto a ideia de ainda pensarmos nisso como algo que deve ser aceito. Defendemos a diversidade de raça, religião, gênero e acreditamos que o que nos torna únicos são justamente as nossas imperfeições. Por que justamente a moda, aquela que “aponta” tendências, tem de ser a mais conservadora neste tipo de questão?

Bom, todo este desabafo é porque a reportagem afirmava que os estilistas talvez estivessem se voltando para os “tamanhos grandes” não pelo caminho da conscientização, mas pelo interesse em conquistar um novo perfil de clientela, ainda para recompor os estragos da crise mundial de 2008.

Ontem também vi que no desfile da coleção Chanel 2010-2011 as modelos caminharam sob uma passarela de gelo. A reportagem dizia que o desfile talvez quisesse mostrar as consequências do aquecimento global. E eu pergunto: como mostrar as consequências do aquecimento global apresentando jaquetas feitas de pele animal?

Sinceramente, são muitas as contradições…

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