Sustentabilidade na moda: mais que uma tendência, uma necessidade

*Patricia Saito

Você provavelmente já ouviu falar em sustentabilidade. Na novela; no supermercado quando foi incentivada a trocar as sacolas de plástico pelas retornáveis; no discurso dos pré-candidatos à presidência, na propaganda de grandes empresas; na Bolsa de Valores; e também relacionada a catástrofes como as recentes chuvas no Nordeste ou ao desmatamento da Amazônia.

Mas o que é, de fato, sustentabilidade e o que o mundo da moda tem a ver com isso? Sustentabilidade está associada ao conceito de desenvolvimento sustentável e pressupõe a harmonia entre os aspectos ambientais, sociais e econômicos. Significa manter um estilo de vida que garanta a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras, não só pensando em larga escala – no caso das atividades empresariais – como no nosso dia a dia.

Quando aplicamos este mesmo raciocínio à moda, as possibilidades são diversas. Vamos pensar nas roupas que compramos nas lojas de departamento. Quando adquirimos uma peça, possivelmente consideramos o preço, a qualidade e o estilo como elementos fundamentais para viabilizar a compra. Dificilmente pensamos nos materiais utilizados na sua elaboração, nas condições em que foi produzida ou se a própria loja desenvolve ações voltadas para a qualidade de vida dos seus funcionários. Imagine se pensamos nos padrões de beleza estabelecidos por este segmento, se esta marca considera, por exemplo, a diversidade como um requisito fundamental.

O que ocorre é que atualmente a moda se utiliza do conceito de sustentabilidade de maneira pontual. Ela está na temática de desfiles, em algumas peças produzidas com menor impacto ambiental ou no material de infra-estrutura onde ocorre o São Paulo Fashion Week. Estas são ações importantes nesse processo, mas não suficientes. Lembro-me sempre de duas notícias recentes que traduzem as contradições que este setor vivencia. A primeira é sobre um desfile que tinha como inspiração o aquecimento global e que apresentava na passarela jaquetas de pele animal. A segunda é sobre o crescimento de produção de roupas tamanho grande, mas que de longe se dá pela via da conscientização e, sim, do mercado perdido pela crise mundial de 2008.

Há muito que fazer, como também há uma sinalização muito positiva de que já existem pessoas dispostas a incorporar esta dimensão aos seus negócios. Resta ao mundo da moda, acostumado a ditar tendências, estar atento a este movimento. O impacto, em uma indústria que movimenta bilhões e que influencia muitos, é decisivo para o futuro que queremos.

Patrícia Saito é jornalista e escreve sobre moda e sustentabilidade para o blog Costura Sustentável.

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