De onde vem a roupa que você usa?

*Por Patricia Saito

Não temos o costume de olhar as etiquetas de nossas roupas para saber a composição do tecido ou o local de origem. Ou quando o fazemos nos contentamos com as informações ali expostas – no caso dos tecidos: poliamida, elastano, algodão, nylon, lycra etc. – e quanto à fabricação: muitas vezes no Brasil, na China, Vietnã, Camboja.

O nosso poder de escolha (e também o nosso vocabulário!) pode aumentar bastante com a entrada de novos materiais chamados de “ecológicos” ou “verdes” que estão sendo utilizados por pequenas marcas, mas que tem potencial para ganhar escala em breve. Andei pesquisando os mais comuns: algodão orgânico, fibra de bambu, garrafas PET, juta, cânhamo, couro vegetal e por aí vai. Com certeza a lista é muito maior que esta. E é possível encontrar muitas informações na Internet para avaliar se o impacto ambiental é, de fato, menor ou inexistente. No caso do algodão orgânico, por exemplo, não basta cultivá-lo sem pesticidas, fertilizantes químicos e reguladores de crescimento. É importante garantir também que o processo de tingimento contemple pigmentos naturais.

Saber a origem da roupa, sapato ou acessório que você compra também é fundamental para estabelecer uma relação de consumo mais consciente. Muitas lojas de departamento ainda continuam fazendo uso da produção “made in china”, o que infelizmente, em muitos casos, significa manutenção de trabalhadores em condições análogas à de escravo. E às vezes, o fantasma mora mais perto do que imaginamos. Há denúncias de que o mesmo ocorre em São Paulo. Roupas mais baratas podem ser parte de uma cadeia de produção complexa que esconde maus tratos e más condições de trabalho.

As empresas do setor precisam garantir processos mais transparentes e que estejam além do que prega a legislação. E também precisam fornecer informações. Será que nossa preferência na hora da compra não seria por um produto com certificado de origem, em que certos critérios fossem observados? Há também o nosso papel como consumidor, capaz de provocar completas reviravoltas em estratégias de negócios ou mesmo de acabar com a imagem daqueles que só estão em busca de lucro, sem considerar a questão da sustentabilidade.

E você? Pronto para olhar a etiqueta da sua roupa?

*Patricia Saito é jornalista e escreve sobre moda e sustentabilidade para o blog Costura Sustentável

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