Os 15 anos da SPFW e essa tal de sustentabilidade

*Por Patricia Saito

A 30ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), realizada de 28 de janeiro a 02 de fevereiro de 2011 na Fundação Bienal, celebrou os 15 anos de existência do maior evento de moda do País. Em números: são 30 mil empresas reunidas, movimentação de R$50 bilhões por ano e 2 milhões de pessoas empregadas. Nesta temporada, 32 marcas apresentaram suas coleções, Gisele Bundchen fez seu último desfile pela Colcci e a modelo transexual Lea T foi a grande sensação do desfile de Alexandre Herchcovitch.

Li artigos de pessoas que atuam há anos no mundo da moda e foram consultadas para fazer uma avaliação do que estes 15 anos representaram. Um que me atraiu a atenção foi o de Lilian Pacce, publicado em 29/01/2011 no jornal O Estado de S. Paulo, em que ela questiona o que significa crescer nos próximos 15 anos. Certamente a indústria de moda brasileira evoluiu muito na última década e a própria SPFW é um exemplo concreto de que temos criatividade, identidade e profissionalismo de sobra para estar entre as principais cidades do circuito mundial da moda. Não a toa, conscientes da prosperidade da economia brasileira e do potencial de avanço do setor, várias marcas internacionais estão escolhendo o Brasil como destino certo de suas filiais.

Mas crescer não significa somente em números e, sim, em qualidade, inovação, gestão. Em minha opinião, nestes pontos, e não no quesito “criação”, residem os maiores desafios a serem enfrentados pela indústria nos próximos anos. Quais mudanças precisam ser feitas para a erradicação do trabalho análogo ao escravo na cadeia produtiva? Ser uma loja fast fashion significa menos qualidade na produção? Os padrões de beleza permanecerão os mesmos em um mundo com características físicas tão diversas?

Outras questões que merecem reflexão: o uso de pele animal em casacos se faz necessário nos dias de hoje? Quais materiais em larga escala causam menos impactos ao meio ambiente?  E quais poderão ser desenvolvidos? O consumo desenfreado é possível num cenário de recursos escassos? Quais valores a indústria estimula em sua comunicação? Como garantir geração de renda para as comunidades, artesãs e costureiras envolvidas com o negócio?

Não são respostas simples e nem serão resolvidas no curto prazo, mas precisam estar nas mentes e planos dos diversos profissionais que irão construir a moda do futuro. Tanto pequenas marcas quanto grandes lojas de departamento só terão a ganhar com a adoção de critérios de gestão socialmente responsáveis. O talento e a criatividade dos nossos estilistas completa a outra parte desta história. É só começar!

Patricia Saito é jornalista e escreve sobre moda e sustentabilidade para o blog Costura Sustentável

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