Projeto de lei visa proibir peles animais em eventos de moda

ELIS MARTINI      6 de maio de 2011, 8H48

FOTOSITE

Look com pele de chinchila de Victor Dzenk, apresentado no Rio Fashion Business Inverno 2011.

Look com pele de chinchila de Victor Dzenk, apresentado no Rio Fashion Business Inverno 2011.

O deputado federal Weliton Prado, do PT de Minas Gerais, apresentou um projeto de lei que deve agradar a ambientalistas e defensores dos animais. O PL 684/2011 visa criminalizar o uso de peles verdadeiras em eventos de moda, como, por exemplo, nos desfiles do SPFW. “Pensando em uma época onde a moda precisa coexistir, integrar-se com o meio ambiente e com todos os ecossistemas, o uso de peles de animais significa dizer não a essas necessidades. Assim a utilização de pele verdadeira em um país de clima quente como o Brasil se mostra desarrazoado. Vale destacar que o uso de peles verdadeiras enseja a prática de crueldades que causam sofrimento intenso nos animais”, afirma o projeto.

Segundo o deputado, a ideia surgiu após a última edição do Fashion Rio, na qual diversos estilistas brasileiros usaram peles naturais. O evento gerou críticas entre entidades e ambientalistas, que recorreram ao deputado para a elaboração de um projeto de lei. O PL 684/2011 foi acompanhado de outro projeto, o PL 689/2011, que prevê a realização de campanhas educativas que expliquem materiais alternativos ao uso da pele, como tricôs e peles sintéticas.

O uso de peles no Brasil se tornou polêmica recentemente, devido à coleção Pelemania lançada pela Arezzo. Após inúmeras críticas e protestos em rede sociais, a marca decidiu tirar de circulação suas peças de pele. Depois da Arezzo, Colcci, Iodice e, mais recentemente, a Le Lis Blanc foram criticadas pelo uso de pele. Enquanto Arezzo, Colcci e Iodice se comprometeram em não utilizar mais peles naturais, a Le Lis Blanc soltou um comunicado no Facebook declarando que todas suas peles possuem certificado e são oriundas de frigoríficos que vendem a carne para fins alimentícios.

Para o deputado Weliton Prado, os projetos fazem parte de um plano de conscientização ambiental. “Essa questão é muito nova no Brasil, as pessoas estão começando a despertar agora para a preservação do meio ambiente e para a proteção dos animais. Aqui no Brasil não existe nenhuma justificativa para o uso de peles, ainda mais com o nosso clima”, explicou o deputado. “O mundo todo está voltado para a questão do meio ambiente e da sustentabilidade, estamos começando a criar uma nova consciência”, completou Weliton.

Os projetos atualmente estão em fase de análise pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, estando abertos para mudanças. “Os projetos serão debatidos, visando melhorias. Queremos ouvir o maior número de pessoas para aperfeiçoar ao máximo. É apenas o começo de uma discussão”, declarou o deputado. Após aprovados pela Comissão de Meio Ambiente, os projetos serão analisados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois de passarem pelas duas comissões, seguem para avaliação da presidente Dilma. Se forem aprovados, viram instantaneamente lei, já que possuem caráter conclusivo, isto é, não precisam passar por votação na Câmara dos Deputados.

Fonte: Modaspot

Anúncios