Varejo de moda: desafios e oportunidades

Na última quarta-feira, dia 28, tive a oportunidade de participar de um seminário da FGV sobre oportunidades e desafios do varejo de moda no Brasil. O evento só durou uma manhã, mas minha sensação é a de que havia assunto para passarmos pelo menos uma semana discutindo! Os palestrantes traçaram um panorama do assunto em linhas gerais, sem conseguir aprofundar muito, mas gostei do evento especialmente por descobrir novas informações que podem ajudar o meu trabalho e as discussões que às vezes fazemos por aqui.

O palestrante Luis Taniguchi, da Green/Tani Brazil, fez uma lista de 10 itens que considera necessários para profissionalizar o varejo de moda no País. São eles: 1. Constatar a sua realidade, 2. ter a sensibilidade do mercado, 3. identificar as reais necessidades, 4. ruptura e inovação, 5. constatar o tipo de desafio, 6. alinhar e manter a direção, 7. concordar e agir, 8. entregar o desejo, 9. identificar a consumidora e 10. criar marcas fortes com lifestyle. Ele  citou um exemplo de uma loja que cancelou os pedidos dos florais na época em que a estampa liberty (de flores miúdas e estilo campestre) estava no auge. Na verdade, a loja parou de receber qualquer produto com esta característica, mas isso porque não soube deixar claro que  só queria cancelar os estampados com flores grandes e, não, com flores pequenas (liberty). Este é só um caso para citar o quanto é fundamental na moda a comunicação objetiva e sem ruídos.

Alexandre Afrange da Restoque/Le Lis Blanc fez uma das apresentações mais interessantes do evento. Isso porque eu não conhecia a história da Le Lis e nem sabia do processo intensivo de expansão que a marca está vivendo desde 2008. Atualmente são cinco segmentos: Le Lis Blanc, Noir (masculino), Bo.bô (jovem), John John (jeans) e Le Lis Blanc Beauté (make up). Para 2012, os lançamentos são justamente esta linha masculina e a de maquiagem, fazendo com que a marca desenvolva um modelo de negócios bastante abrangente. Não sei qual a proximidade da empresa com temas de sustentabilidade, mas fica aí a pergunta que me ocorreu depois de ter contato apenas com dados quantitativos.

O professor da Faap, Amnon Armoni, conectou literalmente todo mundo ao universo das redes sociais e sua importância para as grandes marcas de varejo mundialmente. As ferramentas mais utilizadas são nesta ordem: facebook, twitter, youtube, instagram e tumblr. A Burberry lidera o ranking das que têm mais “curtir” (com nada menos que 8 milhões de likes!!), seguida da Gucci, Dior, Chanel e Ralph Lauren. Armoni também citou quais são os maiores varejistas globais atualmente de acordo com a receita: Macy´s, TJX, Kohl´s, J.C. Penney, Inditex, LVMH, H&M, Gap, Isetan Miksukoshi Holdings e Limited Brands.

Para finalizar, Flávio Rocha, o presidente da Riachuelo, contou o processo de mudança que a empresa está vivendo desde 2003,  passando de uma estrutura vertical para um modelo integrado de todos os elos da cadeia têxtil. Segundo ele, antes as decisões autônomas em cada elo da cadeia podiam ser fatais para a eficiência da empresa. Então, a partir da leitura de um livro sobre a “teoria das restrições”, ele compreendeu que o negócio da empresa deveria se tornar horizontal, com foco na diminuição dos conflitos para gerar mais sinergias. A Riachuelo tem produção própria, contrata terceiros e também tem uma parcela de importados. As confecções estão localizadas em Natal e Fortaleza, com uma produção de 250 mil peças/dia. O lema da empresa é a democratização da moda e é por este motivo que são feitas diversas parcerias com estilistas brasileiros (Fashion Five).

Anúncios