Cadeia produtiva da moda debate sustentabilidade em evento promovido pela Abit

Os desafios da indústria da moda para um futuro com consumo responsável, sustentabilidade e preocupação social, sem perder o foco no lucro e competitividade industrial, foram debatidos por profissionais do setor durante evento promovido pela Abit. Intitulado como “Têxtil e Confecção: Inovar, Desenvolver e Sustentar”, o debate aconteceu no dia 19 de junho, no Pavilhão da CNI, no Píer Mauá, Rio de Janeiro (RJ), na agenda paralela à da Rio+20. Foram duas mesas redondas que discutiram cases bem sucedidos da indústria e projetos inovadores que envolvem questões socioambientais.

Fernando Pimentel, diretor superintendente da Abit, foi o mediador da primeira rodada de discussões e fez uma breve abertura para mostrar a importância do setor têxtil e de confecção para o  Brasil. “Somos a maior cadeia produtiva do ocidente e é importante marcar presença na Rio+20. Assim, mostramos que queremos ser competitivos de forma ética”, afirmou.
Como produzir sem poluir?
Debatedores da indústria discutem como produzir com sustentabilidade

A questão acima foi respondida pelos representantes da indústria durante o primeiro diálogo do evento. Gabriel Gorescu, gerente da P&D da GBU Fibras da Rhodia, afirma que a empresa trabalha constantemente com energia limpa, reuso de água e responsabilidade social.  “Qualquer projeto da companhia é avaliado para viabilizar o tratamento de efluentes antes de se tornar produto. Portanto, sustentabilidade é algo intrínseco para nós e que faz parte de todo o processo de produção”, disse.

Márcio Alvarenga Miranda, gerente de Meio Ambiente e Qualidade da Cedro, enfatizou a necessidade de conscientização do consumidor para questões ecológicas e sociais. “Desde 1985 tratamos nossos efluentes e cuidamos de outras questões ambientais, mas será que a grande maioria da população tem noção do que é sustentabilidade? Os clientes querem saber do preço baixo. Hoje, os mais jovens têm valorizado mais a busca pela origem dos produtos. É algo que podemos aumentar com a educação e mudando a vida das pessoas para que elas tenham acesso a esse artigo”, ressaltou.
Telões instalados no espaço dos debates proporcionaram mais interatividade aos participantes do evento

Os custos e investimentos em sustentabilidade também foram alvo de discussão. A gerente de Marketing da Tavex, Maria José Orione, garante que os gastos em adaptações e projetos trouxeram retorno em médio prazo para sua empresa. “Em um ano e meio recebemos o resultado do investimento em processos mais sustentáveis. Com oAcquasave, programa em que reutilizamos água, tivemos economia na ordem de 40% no processo produtivo”, assegurou Orione. Ainda segundo a gerente, a Tavex usa em seus denins um amaciante feito de cupuaçu, extraído da área amazônica, onde gera renda para a população ribeirinha.

Gabriel Gorescu faz coro à opinião de Orione. “Nós buscamos rentabilidade com o projeto de conversão de gases para geração de energia, por exemplo. É algo totalmente possível de se alcançar”, reconhece.
 
Moda com M maiúsculo
A segunda mesa redonda, que foi mediada pela jornalista Alessandra Marins, do Instituto Rio Moda, apresentou projetos que envolvem design e responsabilidade socioambiental. O presidente do Sinditêxtil-SP,  Alfredo Emílio Bonduki, apresentou o “Retalho Fashion” , programa criado pelo Sindicato com o intuito de gerenciar os resíduos têxteis das confecções do bairro do Bom Retiro e do Brás (SP). Dessa forma, os trapos descartados são recolhidos por catadores que os encaminham para a reutilização e reciclagem. “Essa é uma tentativa de iniciar uma nova fase de conscientização dos empresários da região, principalmente dos pequenos empreendedores”, destacou.
O valor do ecologicamente correto para o público final e o consumo desenfreado também foi tema de debate.  “O mercado ainda não tem condições de reconhecer a sustentabilidade como um produto de valor agregado. O consumidor tem que repensar que é melhor pagar 20% a mais em alguns itens do que não encontrar água potável daqui a alguns anos”, atribuiu, Nina Almeida Braga, diretora do Instituto-E.
Moda com responsabilidade social: segunda meda apresentou projetos que envolvem comunidades na geração de renda

“Manter o parque têxtil nacional e os empregos é algo sustentável. Agora, modinha rápida, onde as roupas são descartadas como se fossem nada é péssimo. Acredito ser muito mais interessante comprar um artigo duradouro, ainda que mais caro, porém com design que ultrapassa a barreira da moda imediatista para que viva o estilo. A verdadeira moda, com M maiúsculo é a proposta do slow fashion, de valorizar um artigo atemporal, com qualidade e estilo”, alertou Lilyan Berlim, designer e pesquisadora em moda e sustentabilidade.

A estilista baiana Márcia Ganem, conhecida pelo uso de matérias-primas alternativas em suas criações, contou como a parceria com comunidades que produzem trabalhos manuais pode render bons frutos. “Envolvemos artesãos no processo de confecção das peças, utilizando fios de refugo de pneus para fazer rendas e bordados. Essa é uma forma de fortalecer essas comunidades, gerando renda e criando novas ideias. Temos que entender melhor o artesanato brasileiro no processo do luxo, que é algo diferencial em nossa moda”, disse.
Encerrando o debate, Patrícia Mendes, coordenadora do programa Talentos do Brasil, falou dos resultados das ações realizadas pelo projeto na inclusão de artesãos e pontuou: “Nossa missão é promover um consumo consciente e de valor agregado, gerando renda para a população rural, fixando as famílias no campo e  na criação de um artesanato sustentável”.
Fonte: Abit
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