O novo luxo?

O SP.Ecoera aconteceu na sexta (28.09) e no sábado (29.09), mas em função de compromissos profissionais (sempre, né minha gente! rs) só consegui participar de uma parte na sexta-feira, um tempo muito curto para conseguir fazer um balanço do evento, mas suficiente para me fazer pensar um pouco em algumas questões que surgiram durante ou depois das discussões.

Bom, primeiro preciso dizer que a realização do evento já foi um passo muito importante, pois quanto mais debates tivermos sobre as relações entre moda, design, beleza, sustentabilidade, melhor. Segundo que ter convidados que atuam na área de moda, por exemplo,  desfaz o mito de que quem fala deste assunto são só os “ecochatos” ou “convertidos” (a palavra que escutei outro dia para designar aquelas pessoas que já estão convencidas da importância da sustentabilidade…). Eu até iria mais longe e mesclaria os dois lados porque senti falta de um pouco de polêmica ou mesmo de questionamentos que me fariam sair do lugar comum. Sempre aprendo com perguntas!! E, terceiro, que a programação tinha momentos de conteúdo (mesas redondas) e de descontração (oficinas), um formato muito interessante porque não deixa o evento pesado e monótono.

Das duas mesas redondas que acompanhei (design e natureza + demi couture e o novo luxo), tenho as seguintes considerações:

– A sustentabilidade é um conceito complexo e a moda faz uso de termos muito específicos, então vale sempre a regra de traduzir, explicar, aproximar, incluir, permitir que quem não é da área possa entender também estas expressões. Isso vale para meus posts aqui do Costura. Já participei de muitas discussões que  tratavam da importância de uma comunicação mais responsável e inclusiva. Um desafio diário, mas isso tem a ver com o que estamos tratando aqui;

– Uma das palestrantes da mesa de design tocou em um ponto fundamental: não existe empresa ou pessoa que seja sustentável, nós na verdade estamos todos trilhando este caminho. Não é o fim, é meio. E aproveito para complementar: trata-se de um movimento, inclusive na moda. Então a participação de pessoas, organizações, empresas, é fundamental. Não adianta polarizarmos entre os “bons” e os “maus” (fast fashion X slow fashion). As empresas têm sua parcela de culpa e precisam melhorar muito, mas não são as vilãs isoladas. Então, no lugar de culpar o fast-fashion, podemos perguntar: como este modelo de negócios pode se transformar? Visão sistêmica é super necessária neste tema.

– Ando escutando de diversas pessoas: sustentabilidade é o novo luxo. Acho polêmico, mas segundo me explicaram tem relação com o raro/refinamento e não com a ostentação. Quem quer comentar??

– As especialistas no assunto explicaram que a Demi Couture é a “meia costura”, ou seja, a produção de roupas sob medida para determinado tipo de público, vendidas em lojas e com preços mais acessíveis que a alta costura (de 10 a 100 mil…rs) . Elas disseram que a demi couture pode ser um meio do caminho entre o fast-fashion e a alta costura. Para nós, pobres mortais, vejo crescer uma tendência já estudada pela Euratex (organização que representa o setor têxtil na Europa) que é a da customização em massa. As empresas começam a oferecer produtos que podem ser modificados pelos consumidores, mas ainda dentro de limites que elas próprias definiram. Quero pesquisar mais sobre este assunto para entender este novo perfil de negócio e como ele pode se relacionar com a sustentabilidade.

O evento prosseguiu no sábado e para quem quiser assistir, o Ser Sustentável disponibilizou vários links. Só clicar aqui

 

 

 

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