Plus size ou tamanho grande? O importante é sentir-se (e estar) bem

Beth Ditto, musa rock n'roll

Beth Ditto, musa rock n’roll

Outro dia o jornalista e escritor Xico Sá publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo um texto elogiando a posição da revista Elle francesa por estampar na capa a foto da modelo Tara Lynn. Com o título “Mais um triunfo da mulher-comfort”, o texto apoiava a decisão de destacar uma modelo plus size na capa, especialmente com a legenda “The body” (o corpo), em referência às formas e curvas da linda Tara. Poucos minutos foram necessários para uma divisão clara entre os leitores de Sá: aqueles que concordavam com ele porque isso poderia representar uma sinalização do mundo da moda de que os tempos são outros; e aqueles que repudiaram o texto porque alegaram que tal atitude poderia desestimular as pessoas a buscar mais saúde, a combater a obesidade e etc.

Eu sei que o tema é polêmico. Já vi artigos que não concordam com o uso do termo plus size, substituindo-o por “tamanho grande”; textos que não concordam com tal segmentação – já que existem semanas de moda específicas em vários lugares do mundo – textos que consideram que tudo é oportunismo do mercado para conseguir manter as vendas em tempos de crise, enfim, as opiniões divergem e tenho lido muito a respeito porque esse é um dos assuntos mais acessados aqui nas buscas do blog. Entretanto, a minha opinião é de que as discussões ainda precisam avançar bastante.

Pensando na relação desse tema com a sustentabilidade, vejo a conexão direta com as questões de diversidade. E de comunicação também. Se pensarmos o quanto o mundo da moda influencia pessoas no mundo todo e dita determinados padrões e tendências, ter uma modelo na capa que extrapole as regras do lugar comum – mulher jovem-magra-branca – já é um bom sinal. E não estou dizendo que precisa ser uma modelo plus size, mas qualquer uma que possa representar a diversidade desse nosso planeta. Acredito que uma importante contribuição dessas publicações de moda é a de reforçar a beleza que existe em diferentes culturas, misturas, raças, biotipos. O diferente é lindo e pode dizer mais do que somos do que o que é considerado “padrão”. Aliás, será que isso ainda existe? A explosão e o sucesso da moda de rua pode ser um indício poderoso de que estamos cansados dos padrões. Isso me faz lembrar o filósofo Gilles Lipovestky em seu livro “O império do efêmero”. A moda vive um movimento contínuo de distinção e imitação; imitação e distinção. Essa é a brincadeira que tem dado certo desde sempre.

Voltando ao plus size, vejo que muitas marcas ainda deixam a desejar nesse quesito. Outro dia uma amiga número 46 pediu ajuda com dicas de roupas bacanas e modernas para uma festa e fiz uma pesquisa rápida nas lojas de um grande shopping em São Paulo: quase a maioria não tinha essa numeração. O manequim ia até o 42, no máximo. Então fico pensando que está na hora das marcas começarem a rever sua estratégia. As meninas tamanho GG querem roupas lindas e modernas, assim como qualquer mulher. Ninguém quer comprar numa loja especial e, sim, nas mesmas lojas que qualquer pessoa compra. Eu não sei como isso funciona nas grandes grifes, mas está na hora de abandonar essas ideias preconcebidas de que mulheres com curvas não podem usar vestido justo, não podem usar estampa, não podem marcar a cintura. Tenho visto blogueiras quebrarem todas essas regras na produção de seus looks e continuarem lindas, como a Stephanie Zwicky (do Le Blog de Big Beauty) e a Nicollete Mason (do blog de mesmo nome). Além da mais famosa de todas, a talentosa e estilosa Beth Ditto (The Gossip).

Bom, quem tiver textos interessantes sobre esse assunto, pode me enviar. Vou adorar ter mais informações para trocar com vocês! Essa é uma questão que merece atenção e que tem tudo a ver com uma moda mais inclusiva e democrática.

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