Sustentabilidade: na moda e na América Latina

Estudo sustentabilidade e moda

Estudo sustentabilidade na cadeia da moda

Nesses últimos meses, dois projetos em que a Costura Sustentável esteve envolvida “ganharam vida”. O primeiro deles é a publicação do Programa Latinoamericano de Responsabilidade Social Empresarial (Plarse), iniciativa que reuniu nove países da América Latina/Central  (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Nicarágua, Paraguai, Peru, Uruguai) pelo fortalecimento do movimento de RSE na região. O Plarse durou de 2008 a 2012 e o livro, escrito por mim a partir da colaboração de diversas pessoas, sistematiza a experiência e os aprendizados vivenciados pelas organizações e parceiros envolvidos.

 

Sustentabilidade na América Latina

Sustentabilidade na América Latina: eu, toda orgulhosa!

O segundo projeto também resultou em uma publicação: o Estudo Setorial “Sustentabilidade e Competitividade na Cadeia de Moda”. O documento foi lançado no último dia 04 de julho pelo Uniethos e apresenta um diagnóstico bem completo da cadeia têxtil e de confecções, além de levantar os desafios e as oportunidades desse segmento quando se conecta com o tema da sustentabilidade.

A respeito do estudo setorial na cadeia de moda, estive presente no lançamento que ocorreu na sede da Abit e acompanhei as discussões que ocorreram entre as organizações presentes: a própria Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), a ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), o Sindivestuário e a Fundação Solidariedad.

Representantes da cadeia têxtil e de confecções

Representantes da cadeia têxtil e de confecções

O vice-presidente do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, apresentou  um resumo da publicação e ressaltou que ela vem em um momento especial, já que o segmento vive o que ele chamou de “pior crise de sua história”. Itacarambi disse que o Brasil precisa investir em inovação, seja ela tecnológica, mercadológica ou de processos e que a China e países da Europa encontraram caminhos, alguns relacionados à sustentabilidade, que tornaram esses mercados mais preparados para o novo momento que vive a sociedade. “A sustentabilidade é a grande oportunidade de mudança para o setor e ela exige envolvimento integrado de todos os elos da cadeia”.

O representante do Sindivestuário, Ronald Moris, elogiou o estudo, mas disse que se todo esse esforço não estiver acompanhado da participação do consumidor, a escolha vai continuar baseada apenas no preço, em detrimento do produto elaborado em condições ecologicamente corretas. Em resposta a Itacarambi, que reforçou que o estudo trata da sustentabilidade na moda, ele destacou que considera o contrário, que precisa tratar também da “moda da sustentabilidade”, pois só assim o assunto se populariza. E finalizou com uma provocação à platéia: “Será que o consumidor está preparado para comprar produtos eco?”

“Setor complexo”. Assim Edmundo Lima começou sua fala ao se referir ao trabalho da ABVTEX de auditorias de fornecedores para o varejo. O diretor tocou em um ponto primordial, a questão da mão de obra que atua no setor e o baixo investimento em capacitação e retenção de talentos. Também afirmou que o volume de importação, entre 20 a 30%, não é a solução para os varejistas nacionais e que precisa existir um esforço na direção da formalização dos pequenos negócios que atuam no setor, em especial no elo de confecções. ” Inovação não se faz sem as pessoas”, completou.

Fátima Cardoso, da Fundação Solidariedad (que atua no desenvolvimento de cadeias de produção sustentáveis, entre elas a do algodão) disse que o estudo trouxe duas principais conclusões. A primeira de que sustentabilidade é um fator de competitividade para a moda e, a segunda, de que há necessidade de maior integração entre os elos da cadeia. Ela citou o exemplo do setor de algodão, que saiu de um modelo intensivo em mão de obra para um modelo intensivo em capital e acredita que haverá uma transformação nesse sentido também no segmento têxtil e de confecções, ainda que “cadeias longas tenham mais dificuldade de inserir a responsabilidade entre as partes”, ponderou.

A participação da platéia foi um dos momentos mais ricos do evento, pena que foi curta. Os presentes trouxeram questões como contrabando de produtos acabados, impostos governamentais e questões ligadas à ética. Um desabafo foi feito por uma confeccionista que participa atualmente do programa da ABVTEX sobre a situação que atravessa sua empresa. “O  fato de ter regularizado o meu negócio não garantiu mais trabalho junto ao varejo, muito pelo contrário, estou perdendo pedidos. Então gostaria de corrigir a informação dada aqui de que os signatários da ABVTEX assumiram o compromisso de comprar da indústria nacional”, lamentou.

O estudo foi coordenado pelo Uniethos (Regi Magalhães) e envolveu os seguintes consultores: Mariana Kohler e o Eduardo Bluhm (Ibi Eté); Cristina Fedato (Consultora) e Fatima Cardoso (Fundação Solidaridad). A Costura Sustentável participou da pesquisa, redação e edição.

Tanto a publicação do Plarse quanto o Estudo Setorial podem ser acessados pela Internet:

Estudo Setorial: Sustentabilidade e Competitividade na Cadeia da Moda

http://201.91.126.78/ftp/uniethos/educacao/estudomodadigital.pdf

Vídeo com o gerente do Uniethos, Regi Magalhães, sobre o estudo:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=bi_jORWmiTc

Plarse: A experiência de um programa pela RSE na América Latina

http://www3.ethos.org.br/cedoc/plarse-a-experiencia-de-um-programa-pela-rse-na-america-latina/#.Ueh2SdKsii0

Versão em espanhol:

http://www3.ethos.org.br/cedoc/plarse-la-experiencia-de-un-programa-por-la-rse-en-america-latina/#.Ueh2X9Ksii0

 

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