Tendência: o começo ou o fim?

Só fazer uma busca para ver como o termo é usado na moda!

Só fazer uma busca para ver como o termo é usado na moda!

Não acreditei quando vi que a última postagem aqui no blog tinha sido em julho (!). Mas a verdade é que entrei num ritmo de trabalho tão intenso que acabei não conseguindo conciliar as atualizações de conteúdo do Costura Sustentável. E depois fiquei refletindo que na verdade essa ferramenta de trabalho tem uma dinâmica um pouco diferente dos demais blogs por aí. Falar de sustentabilidade e moda não tem a ver com”hard news”, mas muito mais com reflexões e mudanças que vão ocorrendo gradativamente, em muitos casos de uma maneira muito lenta. De qualquer forma, fiquei feliz com as mensagens que recebi de leitores. Algumas universidades têm indicado o conteúdo do blog para os estudantes de moda que têm interesse no tema da sustentabilidade e me senti culpada por deixá-los “órfãos” por tanto tempo.

Bom, então vamos retomar os assuntos por aqui. No último mês andei trabalhando em um projeto muito interessante de uma empresa de varejo e gostaria de compartilhar algumas inquietações com vocês. Um dos temas aos quais me dediquei a pesquisar foi o de tendências. E confesso que fiquei surpresa ao entender algumas generalizações que fazemos por desconhecer a origem dos conceitos e suas aplicações. Descobri que tendência tem relação com movimento, com mudanças, com um um grande impacto na vida de um número considerável de pessoas. A melhor definição que encontrei foi em um trabalho do Sebrae RJ: “Todo movimento social, espontâneo ou induzido, que aglutina um número significativo de pessoas em torno de comportamento ou características semelhantes, identificáveis numa série de tempo determinada.” Nesse mesmo trabalho, os autores reforçam a importância de se ter todas essas características para nomearmos algo como “tendência”. Logo, há correntes que sinalizam que existem diferenciações para o que chamamos de onda, modismo e tendência, sendo que na moda a maior parte das coisas que categorizamos como tendências são, na verdade, modismos. Interessante, não?

Depois de entender melhor toda essa lógica e de pesquisar o modo como as agências de tendências trabalham, comecei as conexões com o que ocorre na moda e fiquei com a seguinte dúvida: em um mundo globalizado, em que informações circulam em uma velocidade cada vez maior, e onde as fontes de difusão estão em todos os lugares (trickle down+bubble up), será que ainda podemos falar de tendências? Se estamos falando de um movimento que exige um número grande de pessoas para acontecer, como explicar o paradoxo da moda de precisar se renovar sempre que isso acontece, ou sempre que uma tendência/modismo é levada ao extremo? Ou mais intrigante ainda, como o mercado ainda funciona a partir de uma cor que é definida por um grupo de pessoas de uma organização? Azul Klein e Dazzling Blue são prova disso.

Na verdade, sei que muitos desses pontos têm a ver com o funcionamento da indústria de moda ao longo de anos, mas vejo que estamos diante de um momento muito interessante em que podemos questionar certos modelos para verificar se ainda são válidos no cenário atual. E tudo isso tem relação com a sustentabilidade, à medida que estamos falando de mudança, democratização, formatos e crescimento cada vez maior da moda rápida, fast fashion e que se renova continuamente para atender aos desejos dos consumidores (modismos!).

Durante minhas pesquisas, encontrei um trabalho muito interessante de um fotógrafo holandês, o Hans Eijkelboom, que fez um registro antropológico de como estamos ficando cada vez mais parecidos ao seguir modismos lançados pelo mercado.

Todo mundo igual?

Todo mundo igual?

Será que nessa busca pela autenticidade, não estamos ficando cada vez mais parecidos? A Box1824 lançou um estudo muito interessante sobre isso (Youth Mode). Sugiro que vocês acessem para tirar as próprias conclusões: aqui

Como podem perceber, deixei mais perguntas que respostas, mas espero que o post possa estimulá-los a pensar sobre o que é tendência nesse nosso mundo maluco de hoje!

 

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