Abercombrie e os novos (nem tão novos) tempos

A logo grande e aparente vai desaparecer das peças

A logo grande e aparente vai desaparecer das peças

Lembra que comentamos aqui da polêmica da Abercombrie? No post “O que a Dove, a Abercombrie e a tragédia em Bangladesh revelam sobre o atual momento da moda” eu havia mencionado que considerava um avanço como consumidora conhecer o posicionamento da empresa – que até então tinha uma política de exclusão e gerou aquela campanha #Fitchthehomeless –  para aprimorar meu poder de escolha. Saber o que uma marca transmite como valores nos ajuda nas nossas decisões de consumo diárias.

Claro que as declarações da empresa não passaram despercebidas mundo afora. Consumidores boicotaram seus produtos, protestos ocorreram e a Abercombrie anunciou que passaria a fabricar roupas em tamanhos grandes. Além disso, Mike Jeffries foi ameaçado pelos acionistas a deixar o cargo de presidente. E ocorreu o que realmente os acionistas temiam: o valor das ações caiu 30% com toda essa história e quando foi anunciado que o presidente continuaria no cargo, desabaram novamente.

Nessa semana a Abercombrie volta a cena nas manchetes de jornais e revistas para anunciar que deixará de utilizar gradativamente a logomarca grande e famosa em suas peças. Segundo avaliação de especialistas no segmento de negócios da moda, a ascensão do fast fashion com roupas conectadas a tendências e a um preço mais acessível tem sido o motivo da mudança, já que são mais atrativas para os jovens de hoje.

De tudo isso, o que me parece é que a empresa vai ter de passar por uma reestruturação completa. E não digo apenas no sentido de tornar-se mais competitiva financeiramente ou no sentido do “fashion”, pois acredito que uma das maiores dificuldades da Abercombrie a partir de agora seja a reconquista de um público que ela – “na sua versão antiga” – mencionou não querer atender ou dialogar. Quem usa uma peça de roupa não busca apenas estar na moda ou passar um determinado estilo, mas principalmente uma mensagem de quem se é e do que se acredita. Em um momento em que a diversidade parece sinalizar novos valores e novos desafios para as marcas, excluir – tendo como critério o preconceito – não faz sentido.

 

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