O Japão e a sustentabilidade

No mês de maio realizei um sonho antigo, fui para Tóquio, no Japão, conhecer um pouco da cultura desse povo tão admirado no mundo por sua educação, valores e crenças. Uma viagem como essa – aliás, qualquer “caminhar” que façamos com o coração aberto – tende a provocar reflexões e ampliar a nossa forma de enxergar o ambiente em que vivemos. Listei abaixo o que mais me chamou atenção no Japão e que de alguma forma se conecta com o tema da sustentabilidade:

 

Casa estilo tradicional dentro do Yoyogi Park

Casa estilo tradicional dentro do Yoyogi Park

Desapego e arquitetura

Antes da viagem, comecei a me informar sobre a história e filosofia de vida dos japoneses e um dos primeiros documentários que assisti na TV (perdão, não lembro o nome e nem o canal!) era sobre a arquitetura das casas por lá. Daí você me pergunta o que tudo isso tem a ver com os assuntos que tratamos aqui no blog e eu te respondo: tudo! As casas tradicionais são feitas de madeira ou de materiais leves que diminuem os riscos e favorecem a segurança no caso de terremotos. Elas geralmente são planas, com pouco mobiliário, pouca decoração e têm muita ênfase no jardim, um lugar especial totalmente dedicado a espiritualidade de seus moradores. O desapego é ordem nesses espaços. E a natureza é considerada um dos tesouros mais preciosos do país, não por acaso lembramos do Japão ao ver imagens do monte Fuji ou das famosas cerejeiras que surgem no início da primavera.

Moda nas ruas de Harajuku

Moda nas ruas de Harajuku

Casamento tradicional

Casamento tradicional

Terra de contrastes

Além da arquitetura, não poderia deixar de observar a cultura. É impossível não notar a convivência às vezes harmoniosa, às vezes conflitante de universos que aparentemente seriam contrastantes: o moderno e o tradicional, o novo e o velho, o som e o silêncio. É como se fosse possível transitar entre esses dois mundos a todo instante, sem necessidade nenhuma de fazer escolhas.

Então você está numa rua barulhenta, com luminosos e multidão, dobra uma esquina e tem um parque com flores, peixes e muita paz. Esse é apenas um dos exemplos do que é comum ocorrer por lá.

Brechó em Tóquio

Brechó em Tóquio

Moda: artesanato, fast fashion e brechós

Não consegui conhecer a fundo, mas vi fast fashion como a Forever 21 e a H&M  convivendo com lojas pequenas, de produção autoral. Principalmente em Harajuku, há muitos brechós, de perder a conta mesmo. Brechós só de jeans, brechó de sapatos, tinha até uma loja só de acessórios vintage – pulseiras, colares, anéis, tudo incrível!

O japonês, assim como o europeu, valoriza muito o usado, e tem uma liberdade que acredito ser única de ir montando o look com peças que se sobrepõem e que misturam décadas, estilos e tecidos. Lá também notei uma obsessão das meninas com a questão da pele. Há produtos para praticamente tudo e talvez uma certa dificuldade em lidar com a ideia do envelhecimento.

Lixo: a responsabilidade é de quem produz

Uma das experiências mais interessantes como turista foi lidar com o lixo. Como fiquei em um apartamento e não em hotel, fui informada nos primeiros dias pela proprietária sobre como era feito o descarte doméstico. Você compra sacos de vários tamanhos e é responsável pela separação do lixo no dia a dia. Depois de tudo organizado, é preciso depositar o lixo em uma área externa do prédio (escutei, inclusive, sobre estações de reciclagem em cidades mais afastadas em que os moradores devem transportar os sacos). Se no momento do recolhimento algo estiver separado da forma incorreta, você corre o risco de tomar uma multa. Não tem lixeira nas ruas (a não ser em lojas de conveniência), não tem lixo no chão, não tem garis. O lixo que você gera é problema seu e precisa ser devidamente descartado.

Em 2010, 77% dos materiais plásticos já eram reciclados e o país tem investido em campanhas para redução do consumo, já que incinera 80% de todo o lixo que produz (fonte: O Globo).

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Ah, os parques japoneses…São todos lindos, floridos e repletos de paz. Tóquio é densamente povoada e precisa muito das suas áreas verdes para momentos de relaxamento e descanso dos japoneses. São diversos espalhados pela cidade, mantendo as mesmas características da cidade: limpeza, cuidado com o bem público e organização. Mesmo nos dias mais lotados, como nos finais de semana, todo mundo respeita o direito do outro e convive harmoniosamente.

Casinha linda

Casinha linda

Outra paixão dos japoneses são as flores e plantas. Então as casinhas são repletas de vasos na entrada. O manuseio da terra é uma conexão fundamental para a vida e para as boas energias.

Cruzamento em uma das ruas de Tóquio

Cruzamento em uma das ruas de Tóquio

Segurança

Tem crime no Japão? Tem, mas o índice de criminalidade é baixíssimo e só vem caindo. Conversei com alguns brasileiros que moram lá e que destacaram o quanto o país é seguro. Histórias que lemos na internet sobre pessoas que perdem coisas valiosas e recebem tudo de volta são verdadeiras. A filosofia do japonês, segundo me disseram, é que não devem se intrometer naquilo que não foram chamados (e isso vale para tudo, vida pessoal e objetos). É quase uma questão de honra devolver algo perdido para uma pessoa.

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Vocês devem estar pensando, mas então não tem problema no Japão?

É claro que sim, como em qualquer país. Eu não consegui ficar tempo suficiente para percebe-los na sua profundidade, então são só impressões que descrevi aqui para ampliarmos nossas discussões sobre as questões envolvendo moda, é claro, mas também sobre o social, ambiental e a ética.

Enfim, de volta!

 

 

 

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